19/7/08
“Nesta noite 200 milhões de crianças vão dormir na rua, em todo mundo. Nenhuma delas é cubana.” Já tinha lido esta frase e havia me esquecido. De tão significativa, registro-a aqui. Está estampada num outdoor (hoje já meio descascada), bem na saída do aeroporto internacional de Havana, desde 2000, quando o Papa João Paulo visitou Cuba. O jornalista Fernando Moraes é quem fez a lembrança, falando de seu livro “A Ilha” (1975), hoje na 37ª edição. A foto foi obtida na Internet.

“As questões brasileiras sempre estarão acima das minhas tragédias pessoais”. Do mestre Luis Carlos Prestes, ao responder a uma provocação, durante as eleições de Getúlio Vargas, a quem prestava o apoio dos comunistas brasileiros. Getúlio, quando ditador, anos antes, entregou Olga Benário, judia e esposa do Velho Prestes, ao regime nazista, o qual a matou nos campos de concentração. Outra do Fernando Moraes, no seu livro “Olga” (2004).
18/7/08
Torturei ontem o colega Carlos Damião por longos 15, 20 minutos, após uma foto que fizera de um bonito pôr-do-sol entre prédios, flagrado na janela da redação da Guarujá. Ele queria ir correndo pra casa e publicar a peça. Fiquei puxando papo e testando a sua compulsão pelo Blog. Damião está viciado em nos brindar com boas notícias e belas imagens. Debochado, me ofereceu a foto.
Entro num ônibus da Transol, Linha Agronômica, há minutos atrás. Ouço a seguinte conversa entre o motorista e o cobrador:
- O Dionísio tava falando, agora, na rádio que eles não assinaram o acordo de novo.
- E aí, vai ter greve de novo?
- Ele disse que sim, vai ter uma reunião agora, de madrugada, pra definir.
- O cara do Setuf tava falando com ele, …o bicho vai pegar outra vez.
- Mas e a greve?
- Tavam falando amanhã, nessa madrugada…
- Não, amanhã não dá mais tempo e no fim de semana não vale a pena, não tem movimento nenhum. Isso vai ficar pra segunda ou terça.
- Mas vai ter greve de novo, pode escrever…, eles tão brincando…
Fizemos o nosso papel jornalístico no Jornal da Noite/Rádio Guarujá. Colocamos o sindicalista Dionísio Linder, do Sintraturb, e o assessor de comunicação do Setuf, Erasmo Balbinot. Discutiram no ar durante meia hora. Não chegaram, mais uma vez, a nenhuma conclusão. Parece brincadeira, mas não é. O acordo não foi mesmo assinado, como da outra vez.
Registre-se que a primeira mão, na Guarujá, se deveu ao atento jornalista Polidoro Jr. Ele que nos ligou, passando a informação. Corri para a agenda telefônica, derrubando toda pauta do programa.
Liguei, agora, para todos os telefones que tenho dos sindicalistas. Eles estariam em reunião, neste instante. Ninguém me atendeu. No entanto, os telefones não estão desligados. O jeito é conferir no ponto de ônibus, logo mais. Tudo outra vez. Que deboche!
17/7/08
Se eu fosse um petista apaixonado reproduziria aqui – com orgulho - o que disse o presidente Lula sobre o afastamento do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que investigava Daniel Dantas, na Operação Satiagraha. O delegado resolveu se afastar, ao lembrar – na pior (ou melhor…) hora possível - que precisa concluir um curso, em Brasília, para continuar atuando na PF. “Moralmente esse cidadão tem de continuar no caso até terminar esse relatório e entregar ao Ministério Público”, disse o presidente, identificando-se com a maioria da população. Mas a frase do presidente veio acompanhada de outra, que contaminou o tom ético. Foi esta: “A não ser que ele não queira”, completou Lula. Deixou a porta aberta, infelizmente, para justificar o que vai acontecer.
Revoltante toda a mobilização jurídica para trazer o Cacciola de volta sem algemas. Um detalhe e um deboche a todo cidadão de bem deste País. Leio no G1 que ele está numa cela comum, com presos de formação superior e outros não. Dizem que não há camas para todos. Bem vindo ao Brasil, senhor Salvatore!
16/7/08
Pipocam, em outros estados, agora no Paraná, episódios dramáticos de cidadãos baleados e mortos em ações atrapalhadas de policiais militares despreparados. Parecia que o problema era carioca, com respingos em São Paulo. Não é. A maré de casos lembra o “apagão aéreo”, que começou com atrasos e acidentes localizados e, surpreendentemente, virou uma febre e um colapso nacional. Será mesmo que vamos nos dar conta, de novo, que os fatos sempre existiram e só agora são visualizados em quantidade embalados pela onda de imagens e denúncias da mídia?
O Waltencir entrou no Blog e traz um assunto bem interessante. É sobre a emissão de Carteiras de Identidade. Ele acha que o documento deveria ser fornecido gratuitamente pelo governo ou a um preço simbólico. Segundo o leitor, a CI, hoje, custa R$ 10,00. Se houver pressa, o valor vai para R$ 15,00. “E para onde vai este dinheiro”, pergunta ele. O Waltencir conta que “só está isento da taxa quem comprovar que é pobre, mas com o salário mínimo baixo do jeito que é ninguém é rico”.
Taí, Waltencir, a sua buzinada. Ele ainda nos faz um carinho, dizendo que “o forte da Rádio Guarujá é a interatividade com a população, um ajuda o outro, é legal esta cumplicidade. Abraço. Fica com Deus e quebra tudo Figueira!”, encerra o Waltencir. Valeu irmão, volte sempre.
Vamos ver a força que tem a senadora Ideli Salvatti, parceira de primeira hora do presidente Lula.
A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, anunciou ontem na Fiesc, que a Empresa se prepara para instalar um terminal de GNL, em Santa Catarina ou no Rio Grande do Sul. Os portos de São Francisco do Sul e de Imbituba estão entre os locais que reúnem condições para receber o investimento. Henri Quaresma, diretor de relações industriais da Fiesc, me observou ontem, no Jornal da Noite/Rádio Guarujá, que os gaúchos têm algumas vantagens técnicas, mas os catarinenses ganham com as melhores localizações. A decisão sai até novembro.
Em que pese Santa Catarina ser o quinto no ranking dos maiores exportadores do País no agronegócio, nossos produtores rurais ainda carecem de um investimento mais pesado na mecanização e na automação. A grande vantagem catarinense é o sistema, historicamente baseado em pequenas propriedades rurais, caracterizado como “perfeito” por José Zeferino Pedrozo, presidente da Faesc, em entrevista ontem no Jornal da Noite/ Rádio Guarujá.
Com o dólar baixo em relação ao real, adquirir máquinas modernas seria bem oportuno. No entanto, lembra Pedrozo, “a situação é uma faca de dois gumes”, já que o perfil exportador do Estado sugere sempre uma cautela. O dólar está em baixa na saída e na entrada.
Só faltou algodão doce na porta do Cadeião do Estreito, em Florianópolis, na fuga (fuga?!…) de 43 presos pela porta da frente, no último domingo à noite. Saiu quem quis. Teve até um preso que resolveu voltar. Havia três carcereiros. Um ficou de plantão, outro foi comprar lanche e o terceiro foi pra casa. Aí, a galera lá de dentro resolveu ir junto. Amanhã tem jogo no Scarpelli, Figueira x Santos. Na balada que vamos o pessoal é capaz de dar uma espiada nessa boa peleja da Serie A. Só brincando mesmo…
14/7/08

- Eu quero ver é alguém prender os "dois braços" do Daniel Dantas…
O nome correto desta operação da PF, não seria “solta-e-aguarra”, no lugar de “Satiagraha”?
Nos idos universitários criei dois personagens. Eram “Os mexicanos”. Depois viraram “Los hermanos”. Eles vestiam trajes típicos e falavam a vontade, muito mal da ditadura. O tempo deles passou, felizmente. Agora, aparecem “Os índios”. Acho que eles têm muito a dizer. Vamos ver.

Ouço um fariseu na Assembléia Legislativa vangloriando-se com sua opinião a favor da “Lei Seca”, trazendo os números reduzidos de ocorrências de bêbados no volante e suas estripulias no trânsito. O incauto explica, ainda, que o apelido de “Lei Seca” é inapropriado, mostrando seus conhecimentos da história norte-americana. Então, ta!
Lá vai uma dica: se proibirem as pessoas de saírem de casa é bem provável que os acidentes diminuam, inclusive aqueles mais comuns, como tropeçar nas nossas calçadas esburacadas. É possível até que os assaltos despenquem nos levantamentos policiais, já que haverá quase ninguém nas ruas e as residências não serão alvos tão fáceis para os ladrões, já que estaremos em casa. Outra hora mando mais sugestões.
Onde foi mesmo que deixei o meu Prozac?!
13/7/08
Leio no G1 que os atendimentos do SAMU, em todo o País, tiveram uma redução de cerca de 25%, no trânsito das cidades e nas estradas, por conta da “Lei Seca”. Como ninguém pode degustar sequer uma taça de vinho fora de casa, quase nada aconteceu. Também não ouvi pela Rádio Guarujá, ontem, nenhum registro de seus atentos repórteres, de qualquer indício de agressão de torcedores do Criciúma contra os do Avaí. Eles foram ao Sul do Estado, “descamisados de azul”, proibidos pelas autoridades de vestir camisetas do seu Clube ou qualquer outra vestimenta que lembrasse os “azurras”, o que seria uma provocação intolerável aos donos da casa.
Assim, a repressão deu certo, dirão os autores da idéia.
Um país bem primitivo este nosso! Para coibir a ação de idiotas e trogloditas, na falta de valores, de educação e de autoridade, produz-se leis e determinações igualmente idiotas e trogloditas. Os cidadãos de bom senso e que respeitam a lei, que são maioria, são penalizados e tolhidos em seus direitos. E ninguém diz nada. Desculpem-me o chulismo, mas este é um País de merda, mesmo!
12/7/08
Ainda aguardo que o governador Luiz Henrique da Silveira se proponha a falar sobre o Caso Nei Silva, o tal “livro” e o envolvimento – já mais do que evidente, de nomes poderosos de seu primeiro escalão. Quanto mais passam os minutos de silêncio de LHS, mais munição é fornecida para a oposição e para todos os pescadores de águas turvas que estão se esbaldando nesse caldo de mentiras, verdades e boatos. A sociedade quer ouvir o seu governador!
Os profissionais da chamada mídia eletrônica (rádio e televisão), ao respeitarem a legislação eleitoral, não puderam publicar a cobertura realizada da entrevista coletiva concedida pelo prefeito municipal de Itajaí, ontem à tarde. Na verdade, o protagonista da coletiva, salvo alguma interpretação diferente da Lei, também não poderia ter convocado tal encontro com a imprensa, uma vez que é candidato e as pesadas opiniões que emitiu diante de câmeras e microfones têm inequívoco conteúdo eleitoral e, portanto, contrário ao que determina a Lei.
Deste episódio fica uma reflexão sobre a necessidade de termos para as próximas eleições a obrigatoriedade de renúncia de qualquer cargo público a todos os candidatos, colocando todos em iguais condições na disputa por votos.