10/9/08
Vivemos uma época de medianos, de sobreviventes. Nela há uma previsibilidade de quase tudo. A criatividade e a excelência são marginais, hora por conveniência, hora por insuficiência de se tentar o melhor. Coisa fora de hora essa busca pelo ideal…, afinal, quase ninguém está à espera disso… Como disse, é uma época de sobreviventes, medianos. Nestas eleições, por exemplo, porque razão deveria ser diferente? Também é assim… No final, vamos todos votar, solenes e comuns. E tudo estará normal.
9/9/08
É simples assim. Se o presidente Lula cumprir o que está dizendo - que irá investir os recursos obtidos do petróleo da camada pré-sal na Educação no País – e, se tivermos a sorte dos próximos presidentes garantirem esta meta, podem anotar: daqui a 30 anos seremos a próxima potência econômica, tecnológica e intelectual do mundo. Fico a pensar quem será o Bush da vez? Um de nossos netos. Carinho com os netos, portanto!
8/9/08
Fico sabendo, com tristeza, que os estudantes que desfilaram ontem, no Dia 7 de Setembro, terão um ponto a mais na média do bimestre. Sei, com mais tristeza ainda, que muitos adolescentes, que deveriam ter desfilado, por serem menores, teriam que estar dentro de casa depois das 10 da noite. Mas estavam com os adultos nas baladas do sábado e dormiram até as duas da tarde de domingo e, por isso, sequer viram alguns poucos brasileiros reverenciar a Pátria.
Me lembro que comprávamos papel crepom, verde e amarelo, e enrolávamos como em fitas as nossas bicicletas. No guidom e no bagageiro pendurávamos bandeirinhas fabricadas em casa e no colégio. Para chamar ainda mais a atenção, usávamos uma tampinha de sorvete de copinho, fixada com um prendedor, perto da roda. Os raios raspavam com velocidade na tampinha e produziam um ruído quase automotivo e imaginávamos estar pilotando as motos potentes da Polícia do Exército.
Estávamos numa ditadura militar, é verdade, mas aquele valor era do bem, me acompanhou com dignidade durante toda militância que tive no bravo MR-8. Até hoje me acompanha. Uma pena, minha geração vacilou e não soube passar isso. É um valor, para mim, feito um cristal mágico, desses do Harry Poter. Todo Dia 7 de Setembro acalento-o, deixo que sua luz renove por mais um ano minhas esperanças no Brasil.
Há homens que enganam um dia e esses são defenestrados.
Há os que enganam muito tempo e são perigosos, mas identificáveis.
Há, ainda, os que enganam toda vida e esses só nos trairão depois de eleitos.
7/9/08
Alguém, no segundo turno, vai ter que engolir em seco tudo que disse do outro candidato no primeiro turno e prestar-lhe apoio irrestrito. E isso será feito sem o menor constrangimento, chamado de jogo democrático. Tal apoio valerá em troca cargos na nova administração. Então, vamos combinar: isso não tem nada de democrático, o nome disso é fisiologismo, uma espécie de gastrite crônica do sistema digestivo democrático. Provoca muita azia e requer tratamento prolongado.
6/9/08
“- Me pagaram para entregar isto aqui nas casas. Nem sei o que é. Deve ser coisa de política.”
Foi o que me falou um motoqueiro na porta de casa, pela manhã, dia desses, ao me entregar um panfleto, em papel couchê brilhante, 90 gramas, meio ofício, com impressão colorida e caprichosa, de igual diagramação.
A publicação apócrifa, assinada por ninguém, traz a reprodução de matérias da Agência Estado e do Clicrbs, as quais estampam as seguintes manchetes: “TCU condena prefeito de Florianópolis por má gestão”; “TCU condena irmãos Dário e Djalma Berger”.
Nenhuma novidade, afinal, as notícias são uma reprodução de duas grandes agências. O que vale comentar é a infelicidade do gesto pequeno, oportunista e cloacal de alguém que entende estar fazendo campanha eleitoral.
A Democracia não serve para isto. Nem vou entrar no mérito do conteúdo das manchetes. Eles são fartos, falam por si e indicam as reservas que cada um deve ter nesta eleição. Mas, o que chama a atenção é a falta do que dizer deste coitado oponente, que não consegue sequer mostrar a cara para seus eleitores e presume buscar seus votos no lixo da esperança popular. Ainda cheirando mal de prováveis banhos em águas turvas, acha que poderá se beneficiar eleitoralmente com um golpe baixo e conhecido, desde os sarcófagos da ditadura, a qual, talvez, tenha lhe criado.
A grande maioria das pessoas não gosta disso. Causa repulsa essa briga na sarjeta por algo tão mais nobre. Só há uma vantagem diante deste episódio sórdido. Pelo método, pelos rastros, pela qualidade, pelas digitais deixadas neste lodo, já sabemos bem que cuidados ter na hora do voto.
5/9/08

Lá se vai mais uma ilusão com essa mania de tudo “fast”. Ficar olhando a moça esparramada em sua toalha na areia tomando sol, lambuzando com languidez seu corpo com óleo bronzeador, tocando sua pele e interpretando nossos sonhos… Tudo isso começa a sair de cena. Agora, até o bronze é “a jato”. Peitos, lábios, bundas, panturrilha, tudo a jato. Faltava o bronzeado. Que triste esses tempos, sem calma, sem tolerância, sem interpretações, sem fantasias, sem ilusões, sem tempo. Tudo a jato.
4/9/08
A Folha explicou o “pré-sal” dia desses. “A camada pré-sal é uma faixa que se estende por cerca de 800 quilômetros abaixo do leito do mar, entre os Estados do Espírito Santo e Santa Catarina. O petróleo encontrado nesta área está a sete, oito mil metros, abaixo de uma extensa camada de sal que, segundo geólogos, conservam a qualidade do petróleo”. (A arte é da Folha)
Me dou conta que até agora, ninguém, aqui em Santa Catarina, iniciou um debate sobre os “royalties” deste petróleo nota 10 e a revolução que isso pode nos proporcionar. Acho que todos ainda não acordaram para este fato. Inclusive, nós, jornalistas. Vamos providenciar.
3/9/08
Em dois dias e com implantação apenas em oito códigos de numeração, a portabilidade (recurso que permite mudar de operadora e manter o número da linha) já foi pedido por quase 2.000 brasileiros. As matérias na mídia não chegaram a analisar, ainda, o que isto significa. O fato é revelador. A grande procura pela portabilidade indica, em primeiro lugar, que o cliente não está satisfeito com a sua atual operadora, então quer trocar. Ocorre é que os pedidos de portabilidade assolam todas as operadoras, sem exceções. Isto quer dizer que todas estão deixando a desejar. São todas muito ruins. E agora?… Vamos elevar a qualidade?
Uma pequena mostra de como a chamada “high society” da Ilha está se lixando para o público e só interessada em seus umbiguinhos perfumados (será?…). Basta observar as obras de recapeamento asfáltico que estão em andamento na Beira Mar em pleno trânsito, causando enormes engarrafamentos por toda a área central da cidade. O leitor sabe por que a Prefeitura não executa essas obras à noite, como seria óbvio assim proceder? Os ilustres moradores da nossa mais chique avenida ameaçam entrar na Justiça, argüindo a Lei do Silêncio. E essas máquinas nem fazem tanto barulho assim. A Corte não está nem aí para a maioria ou para o bem comum, há 200 anos, desde que chegou à terrinha. Nada mudou.
2/9/08

O Getúlio lançou a idéia. Agora, o Lula pega a carona histórica. As costas são da ministra Dilma, em pleno pré-sal, agora pouco. Diria a oposição: "assim não vale!"
Começaram hoje as prospecções de petróleo, pela Petrobrás, na camada pré-sal no mar brasileiro do Espírito Santo. Até dias atrás, quando fui me informar melhor o que vem a ser este “pré-sal”, tinha em mente uma idéia mais lúdica e prazerosa do termo. Pré-sal eram, então, aqueles momentos solenes de um bom churrasco, em que a gente fica no maior papo com os amigos, tomando aquela cervejinha, preparando os apetrechos para salgar a picanha e a costela para ir ao braseiro. Isto era “pré-sal”, até o termo virar manchete nos jornais.
Ao tomar conhecimento de tantas informações sobre o outro “pré-sal”, que envolve muito dinheiro, poder, criação de cargos, mais “entreguismo” nacional e interesses muito além dos da Pátria, resolvi valorizar mais ainda o meu “pré-sal”, muito mais legal e saboroso. Comprei uns espetos novos e uma boa gamela. O “pré-sal” anda valorizadíssimo lá em casa.
“É necessário agora que eu diga que espécie de homem sou. Meu nome, não importa, nem qualquer outro pormenor exterior meu próprio. Devo falar de meu caráter.”
O texto acima poderia ser de um candidato, desses que votaríamos de olhos fechados. Infelizmente, não é. A reflexão é de Fernando Pessoa. Ando muito sem candidato. Ando muito seletivo. Ando muito preocupado comigo. Como diriam os mais antigos, “quando votar passa…”